
Não foi por preguiça.
Nem por protesto.
Foi só porque gostei de me ver. E de me sentir bem — sem pensar demais.
Naquele dia, vesti uma camisa de algodão cru, que já tinha há algum tempo mas usava pouco.
Simples, leve, confortável.
Fiquei tão bem — tão eu — que no dia seguinte repeti. E no outro também.
Não planeei.
Mas percebi que o mundo não desabou.
Ninguém comentou. E se alguém reparou, não teve importância.
A verdade é que sempre me ensinaram que “repetir roupa” era sinal de desleixo.
Ou de falta de opções.
Mas nunca me disseram que repetir também podia ser sinal de coerência.
De saber o que nos serve.
De ter menos peças — e mais paz.
De escolher com intenção, em vez de só variar para parecer “nova”.
Vesti a mesma coisa três dias seguidos… e ninguém morreu.
Aliás, foi das vezes em que me senti mais leve.
Menos tempo a decidir.
Mais tempo a viver.
Sei que repetir nem sempre é fácil. Há ambientes, pressões, inseguranças.
Mas também há espaço para experimentar.
Nem que seja num fim de semana, num dia em casa, ou num momento só teu.
Talvez repetir seja o gesto mais radical da minha liberdade.
