Não comprei nada durante um mês. Só observei.

Não foi um desafio de Instagram.
Nem uma promessa grandiosa de “vou mudar de vida”.
Foi só… um cansaço. E uma vontade de parar.

Depois de perceber que a roupa me estava a cansar, decidi não comprar nada durante um mês.
Nada mesmo. Nem uma meia.

Mas o mais difícil nem foi não comprar.
Foi aguentar o silêncio.
O silêncio do hábito de abrir sites.
O silêncio do clique fácil, da encomenda que “não faz mal, é só uma”.

Quando esse ruído desapareceu, percebi que estava habituada a comprar para preencher coisas que não tinham a ver com roupa.
Às vezes era tédio. Outras vezes frustração. Ou só vontade de me distrair.


Durante esse mês, comecei a olhar mais para o que já tinha.
Literalmente. Abria o armário e observava.
Sem pressa. Sem pressão. Sem aquela urgência de “tenho de mudar tudo”.

E foi curioso:
Comecei a reparar em peças que nunca vesti.
Noutras que estavam ali só por culpa.
E noutras que gosto mesmo — mas que raramente uso, sabe-se lá porquê.


Este mês sem compras foi, sem querer, um mês de escuta.
Escutei o que a roupa dizia sobre mim.
Sobre como compro, porquê, com que intenção — ou falta dela.

E não, não foi uma experiência de revelação cósmica.
Foi só um intervalo. Um espaço vazio que me deixou ver melhor.


Talvez te faça bem também. Ou talvez não.
Mas se alguma vez sentiste esse impulso constante de comprar sem saber bem porquê…
pára um bocadinho.
Olha em volta.
Olha para dentro.

Só isso já é começo.

→ Lê o próximo capítulo: “Tirei tudo para fora. Literalmente.”

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