O linho do Alentejo: um fio ancestral que resiste

Explora a história e o futuro do linho português cultivado no Alentejo — uma fibra ecológica, resistente e cheia de significado para a moda consciente.

Histórias de terra, mãos e tempo

Há tecidos que carregam geografias inteiras. O linho é um deles.

Com raízes profundas na história agrícola e artesanal do Alentejo, o linho é mais do que uma matéria-prima: é um símbolo de resistência, cuidado e permanência. Neste artigo, olhamos para esse fio — literalmente — com olhos de futuro.

Um pouco de história

O cultivo do linho em Portugal remonta a séculos. Antes de existir fast fashion, existiam campos de linho, mãos calejadas e um saber transmitido de geração em geração. No Alentejo, o clima e os solos favoreciam o crescimento da planta — e toda uma cadeia artesanal crescia à volta dela: colheita, ripagem, fiagem, tecelagem.

Com o tempo, e a industrialização, essa prática foi sendo esquecida. Mas algumas comunidades, cooperativas e criadores continuam a manter vivo este ciclo — reinventando o linho, sem o descaracterizar.

Porque o linho é (ainda) uma fibra do futuro

  • É biodegradável e de baixo impacto ambiental (requer pouca água e poucos químicos)
  • É resistente, respirável e termorregulador — perfeito para climas como o nosso
  • Pode ser cultivado e transformado localmente, promovendo economia circular
  • Envelhece bem: quanto mais usado, mais macio se torna

Na Clara Terra, acreditamos que futuro e tradição não se excluem — pelo contrário, se alimentam.

Mãos que preservam

Falámos com duas artesãs e uma pequena tecelagem alentejana que trabalham exclusivamente com linho nacional. Todas reforçam a mesma ideia: trabalhar o linho é um exercício de tempo, escuta e respeito.

Cada etapa — do fio ao pano — exige atenção, conhecimento e uma ligação profunda ao material. Nada aqui é feito com pressa. E talvez seja isso que mais nos falta.

Tecidos com raízes

Escolher linho local é também uma forma de apoiar territórios que muitas vezes são esquecidos. É investir na regeneração não só do solo, mas das comunidades, da economia, da cultura.

Moda consciente não é só “ecológica” — é territorial, emocional e relacional.

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